Alegrete · Rio Grande do Sul · Brasil
Letra de música

Bolicho

Cenair Maicá · Companheira Liberdade

Capa de Companheira Liberdade
Cenair Maicá

Bolicho

Companheira Liberdade · 1985
No balcão cheiro de risos de taboa velha riscada Maço de palha e o fumo numa estopa remangada Poeirada, muita cachaça e alguma rusga entaipada. O rádio que se desmancha num tangaço de Gardel Peça de chita floreada, renda, alpargata e pastel. E um gato velho brasino que a cuscada dá quartel. Bolicho beira-de-estrada, na solidão da campanha Onde o índio solitário afoga as mágoas na canha. Morada dos cruzadores, onde o andejo sem rumo Busca na canha e no fumo matar saudades de amores. Lá fora a tava que sobe, cá dentro trago que desce A goela da oito baixos canta até o que não conhece. Um truco bem orelhado desde segunda amanhece. Ninguém passa sem chegar no bolicho beira-estrada E o bolicheiro alarife tem a cara preparada, Às vezes sua livreta cobra quem não comprou nada.
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