Letra
Milongão Pra Assobiar Desencilhando

Músicas e letras de
Luiz Marenco
CD Todo o Meu Canto (2004)


Esta música está disponível para ouvir

Silhueta de um fim de tarde, prenunciando a mesma sombra
Do tarumã bem copado contra o lado do galpão
Que larga fumaça branca no mais alto se desenha
De certo é cambona e lenha na porfia do fogão

A gateada apura passo no acôo da cuscada
Que faz festa com o retorno dos campeiros na mangueira
Silêncio se vai aos poucos pelas esporas nas pedras
E os tinidos da barbela nos escarceios da oveira

Aos poucos, ouvem-se coplas num assobio compassado
Que entram galpão à dentro, depois voltam mais sonoras
Se vão tirando a carona, o xergão e entram mais calmas
Parecem que campo e alma se mesclam bem nessa hora

Água nos lombos suados, mais águas pras cambonas
E o galpão se para quieto pra escutar um campeiro
Depois do dia de lida, de invernada e rodeio
Sobra tempo pra um floreio e um assobio milongueiro

Um mate recém cevado, silencia o galpão grande
Reverenciando quietudes nas sombras que aquerenciei
E quem refaz o seu dia de bem com a vida no campo
Um pelego sobre um banco é mais que um trono de rei

Ficou um resto de pasto agarradito no freio
Esporas mangos e laços e um silêncio esperando
Alguém de alma lavada á debruçar-se no violão
E tocar um milongão pra assobiar desencilhando


Algumas palavras contidas nesta letra estão em nosso dicionário de gauchês

CAMBONA: Pava

BARBELA: Corrente que une as gâmbas do freio.

GALPÃO: Tipo de edificação que com o rancho forma um conjunto habitacional no RGS; numa Estância ou numa Fazenda, abriga o alojamento da peonada solteira, os depósitos de rações, almoxarifados, apetrechos, aperos, galpão-do-fogo, etc.

XERGÃO: Baixeiro apero de encilha que se coloca no lombo puro do animal.

INVERNADA: Subdivisão de uma Fazenda; designa também, departamento de um CTG (Entidade Tradicionalista).

MATE: Só é mate se tiver algum jujo (chá) junto com a erva.

Compartilhe

Luiz Marenco - Milongão Pra Assobiar Desencilhando (letra e música para ouvir) silhueta de um fim de tarde, prenunciando a mesma sombra do tarumã bem copado contra o lado do galpão que larga fumaça branca no mais alto se desenha de certo é cambona e lenha na porfia do fogão
Todo o Meu Canto de Luiz Marenco

Com uma trajetória de sucesso Luiz Marenco em seu CD Todo o Meu Canto, lançado em 2004, reporta ao público músicas que reforçam a grandeza e o orgulho pela tradição de cultuar o que é do Sul. Acompanhe e divulgue a música do RS ao som de Luiz Marenco.

Parceiros