Letra da música
Batendo Água
Luiz Marenco

CD Luiz Marenco e Jari Terres - Andapago (2010)


Meu poncho emponcha lonjuras batendo água
E as águas que eu trago nele eram pra mim
Asas de noite em meus ombros sobrando casa
Longe das casas ombreada a barro e capim.

Faz tempo que não emalo meu poncho inteiro
Nem abro as asas de noite pra um sol de abril
Faz muitos dias que eu venho bancando o tino
Das quatro patas do zaino pechando o frio.

Trocam um compasso de orelha a cada pisada
No mesmo tranco da várzea que se encharcou
Topa nas abas sombreras que em outros ventos
"guentaram" as chuvas de agosto que deus mandou.

Meu zaino garrou da noite o céu escuro
E tudo o que a noite escuta é seu clarim
De patas batendo n'água depois da várzea,
Freios e rosetas de esporas no mesmo trim!

Falta distância de pago e sobra cavalo
Na mesma ronda de campo que o céu desagua
Que tem um rumo de rancho pras quatro patas
Bota seu mundo na estrada batendo água;

Porque se a estrada me cobra, pago seu preço
E desabrigo o caminho pra o meu sustento
Mesmo que o mundo desabe num tempo feio
Sei o que a asas do poncho trazem por dentro.


Algumas palavras contidas nesta letra estão em nosso dicionário de gauchês

PONCHO: Pilcha, espécie de capa sem abertura e de gola redonda que abriga do frio.

TRANCO: Andadura lenta dos eguariços.

PAGO: Lugar em que se nasce, de origem

RONDA: Ação de vigilância.

RANCHO: Primeira habitação erguida no Continente de São Pedro, edificada com material que abundava no local (leiva, torrão, pedra ou pau-a-pique e barreado), coberto com quincha.

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(letra e música para ouvir) Meu poncho emponcha lonjuras batendo água e as águas que eu trago nele eram pra mim asas de noite em meus ombros sobrando casa longe das casas ombreada a barro e capim.

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