
Quando o tempo se arma na serra<br>
escondendo o topo do cerro<br>
uma garoa galopeada<br>
só pra encharcar os pelegos<br>
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pra quem reponta o gado<br>
a boca não é boa meu parceiro<br>
vento batendo de frente<br>
laço apresilhado nos tentos<br>
e um refugo se apartando<br>
pros meus descontentamentos<br>
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essa é a vida lá fora<br>
essa é a vida que eu levo<br>
encarando tempo feio<br>
mesmo assim nunca me entrego<br>
laçando de toda corda<br>
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gineteando ferro e ferro<br>
pode amanhecer chovendo<br>
trago as vacas pro potreiro<br>
numa tiração de leite<br>
e o guachedo num berreiro<br>
passando os dias do agosto<br>
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a castração vem primeiro<br>
pealando só de “cucharra”<br>
bago assando no brasedo <br>
nalgum terneiro mais forte<br>
a gineteada é um brinquedo<br>
essa é a vida lá fora...<br>
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por mais judiada que seja<br>
a vida de peão campeiro<br>
se fazendo o que gosta <br>
nunca bate o desespero<br>
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numa lida de mangueira<br>
se chover deixa que chova<br>
embarrado até o joelho<br>
dando risada à toa<br>
agarrado num terneiro<br>
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“oigalê” vida bem boa<br>
essa é a vida lá fora...