Letra da música
Al Compás de la Vigüela
André Teixeira

CD Do Meu Rincão (2018)


Esta música está disponível para ouvir

(André Oliveira/André Teixeira)

Quando atiro as potreadoras
Nas patas de uma milonga,
Sinto a pampa que ressonga
“en las riendas domadoras”.
Minha alma campeadora
Rebenta sogas e amarras
Pra gavionar nas guitarras
Entre primas e bordões.
Saudando rancho e galpões,
Solando o choro das garras.

Vibram cordas e gargantas
“al compás de la vigüela”.
Ruflam “flecos y espuelas”
Porque o campo se agranda.
Há uma raça que levanta
Um brado em contrapunto.
Três pátrias gorgeiam junto
Tramadas em dois idiomas
Nos pedestais das pajonas
Templando os mesmos assuntos.

Milonga, oração platina
Das Reduções Jezuítas,
Ponteada em cordas de tripa
Entre rabecas de crina
Nos puebleros da Argentina.
No Rio Grande ancestral,
“en la vieja Banda Oriental”.
Da Colônia do Sacramento,
Dos fogões de acampamento
Sobre o poncho do chircal.

Milonga, sereno acalanto
Das violas e das almas.
É rio que singra na calma
Nas veias deste meu canto.
Canção que espanta o pranto
E aguça a fúria do instinto.
É toda a força que sinto
Pois vem do ventre da terra,
Rebrotando em primaveras
Com o sangue de Trinta e Cinco.

Cantilena dos sinuelos
Que alargaram as distâncias.
É a lida das estâncias
Cantada em voz de cincerro.
“Es pontezuela y pañuelo”
Talareando com o pala...
E jamais se embuçala
Esta cantiga machaça
Porque o pampa perde a graça
Se uma milonga se cala.


Algumas palavras contidas nesta letra estão em nosso dicionário de gauchês

PAMPA: Descampados cobertos de vegetação rasteira onde a vista se estende ao longe; compreende desde a Província da Pampa Austral, ao sul de Buenos Aires (Argentina) até os limites do RGS com o Estado de Stª Catarina (Brasil).

RANCHO: Primeira habitação erguida no Continente de São Pedro, edificada com material que abundava no local (leiva, torrão, pedra ou pau-a-pique e barreado), coberto com quincha.

PONCHO: Pilcha, espécie de capa sem abertura e de gola redonda que abriga do frio.

SERENO: Orvalho.

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(letra e música para ouvir) (André Oliveira/André Teixeira) Quando atiro as potreadoras Nas patas de uma milonga,
Do Meu Rincão de André Teixeira

Melodias e poemas que cantam a terra, o universo do campo, os sentimentos do gaúcho, seus usos e costumes. Do Meu Rincão é o segundo CD solo do cantor, compositor e violonista André Teixeira e foi preparado de forma cuidadosa respeitando a tradição e as raízes da música regional.
O trabalho está sendo lançado de forma independente, reúne 17 composições do artista em parceria com grandes poetas e conta com as participações especiais de Luiz Marenco e de Marcello Caminha.
Para o artista, o novo trabalho é uma reverência ao campo, ao gaúcho e ao seu rincão, o Rio Grande do Sul. “Canto a minha terra porque eu sou cantor deste lugar e esse é o meu designo, meu elemento e minha vida”, explica.

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