Letra da música
Alma Pampa
Luiz Marenco

CD Meu Rastro - Vol. 1 (2012)


Quem te batizou, milonga, decerto foi algum monge
Que escutou de muito longe o teu murmúrio de sanga
Ou quem sabe alguma changa dormideira dos arreios
Dessas que fazem ponteios com unhas de japecanga
Dessas que fazem ponteios com unhas de japecanga

Ou quem sabe algum sorsal de topete colorado
Num prelúdio abarbarado das canas do taquaral
Talvez, quem sabe, um bagual, corcoveando num repecho
Floreando as cordas do queixo nas pontas do pastiçal

Brasileira, castelhana, milonga ronco de mate
Tu nasceste do embate da velha saga pampeana
Espanhola, lusitana, entre patriadas e domas
Sem divisas, sem diplomas, cursando o mesmo dialeto
Porque o vento analfabeto fala em todos idiomas

Quem sabe, talvez, a lança, riscando a primeira linha
Quando a adaga sem bainha, cadenciava uma romanza
Ou talvez a vaca mansa dentro da várzea perdida
Na ternura enrouquecida feita de instinto e lamento
Anunciando o nascimento da cria recém lambida

Por isso em qualquer fronteira, no esboço da lonjura
És a mais linda mistura da nobre estirpe campeira
Fidalga e aventureira com geografia na cara
Passaporte tapejara no caminho dos andejos
Reculutando solfejos que uma linha não separa

Alma de pampa e semente que nasceu nos dois costados
Herança dos mal domados que formaram nossa gente
O passado e o presente e o futuro dimensionas
Nas primas e nas bordonas do garrão do continente
Nas primas e nas bordonas do garrão do continente

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(letra e música para ouvir) Quem te batizou, milonga, decerto foi algum monge Que escutou de muito longe o teu murmúrio de sanga Ou quem sabe alguma changa dormideira dos arreios Dessas que fazem ponteios com unhas de japecanga
Meu Rastro - Vol. 1 de Luiz Marenco

Com uma trajetória de sucesso Luiz Marenco em seu CD Meu Rastro - Vol. 1, lançado em 2012, reporta ao público músicas que reforçam a grandeza e o orgulho pela tradição de cultuar o que é do Sul. Acompanhe e divulgue a música do RS ao som de Luiz Marenco.

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