Letra da música
Antes Que Sumam as Estância
Jorge Freitas

CD 30 Anos de Coxilha Nativista (2010)


“Velhas estâncias crioulas
Palácios enjanelados
Primeiro marco plantado
Na partilha sesmeira

Foram quarteis e mirantes
Quando o tempo encrespou
E o gaúcho se escrivou
Pra alargar as fronteiras”

Ao vê-la vigiando a ermo
Com a aparência entristecida
Mirando os campos sem vida
Como a pedir-me clemencia
Minha visão é notória
Que tão mexendo na história
E no perfil da minha querência

Só enxergo fragmento
Das partilhas aramados
Vejo proles deserdadas
Pela ganância funesta
Sesmarias dessecadas
E a pecuária abandonada
Pela sombra das florestas

Olhando minha fronteira
E pros campos sem campeiros
Meus velhos olhos posteiros
Vertem lágrimas de ferro
É triste olhar as coxilhas
E ver a grama forquilha
Se transformando em papel

Refrão
Antes que sumam as estâncias
Vou retornar ao rincão
Soltar a alma pro campo
E dar pasto para ao coração
Do verso que é meu cavalo
Só pra deixar de regalo
Aos campeiros que virão

Atrás do horizonte verde
Vejo meus filhos brincando
Faz de contar estar repontando
Um gadinho de papel
Quem dera que essa visão
Fosse só uma inspiração
Pra os meus versos de cordel
Não permita Deus que eu veja
Cavaletes despeonados
Com os lombos empoeirados
Com saudades dos arreios
Deixe eu morrer galponeando
Em meio a xergões olhando
E ganchos remoendo freios

Lhe peço senhor dos campos
Que alumbre os versos que eu canto
Com o brilho das primaveras
E pra o sonho ficar completo
Não deixe eu ver meus netos
Dando ô de casa! Em taperas

Refrão


Algumas palavras contidas nesta letra estão em nosso dicionário de gauchês

GAÚCHO: Palavra de origem guarany, pois nessa língua não existe vocábulos com o som da letra “L”.

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(letra e música para ouvir) “Velhas estâncias crioulas Palácios enjanelados Primeiro marco plantado Na partilha sesmeira

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