Letra da música
Alma Pampa
Luiz Marenco

CD Filosofia de Andejo (1993)


Esta música está disponível para ouvir

Quem te batizou milonga, decerto foi algum monge
Que escutou de muito longe o teu murmúrio de sanga
Ou quem sabe alguma changa, dormideira nos arreios
Dessas que fazem ponteios com unhas de japecanga
Dessas que fazem ponteios com unhas de japecanga

Ou quem sabe algum sorsal, de topete colorado
Num prelúdio abarbarado das canas do taquaral
Talvez quem sabe um bagual corcoveando num repecho
Floreando as cordas do queixo nas pontas do pastiçal

Brasileira, castelhana, milonga ronco de mate
Tu nasceste do embate da velha saga pampeana
Espanhola, lusitana, entre patriadas e domas
Sem divisas, sem diplomas, cursando o mesmo dialeto
Porque o vento analfabeto fala em todos idiomas

Quem sabe talvez a lança, riscando a primeira linha
Quando a adaga se embainha, cadenciava uma romanza
Ou talvez a vaca mansa, dentro da várzea perdida
Na ternura enrouquecida, feito instinto e lamento
Anunciando o nascimento da cria recém lambida

Por isso em qualquer fronteira, no esboço da lonjura
És a mais linda mistura da nobre estirpe campeira
Fidalga e aventureira, com geografia na cara
Passaporte tapejara, no caminho dos andejos
Reculutando solfejos que uma linha não separa

Alma de pampa e semente que nasceu nos dois costados
Herança dos mal domados que formaram nossa gente
O passado e o presente e o futuro dimensionas
Nas primas e nas bordonas do garrão do continente
Nas primas e nas bordonas do garrão do continente
Nas primas e nas bordonas do garrão do continente


Algumas palavras contidas nesta letra estão em nosso dicionário de gauchês

BAGUAL: excelente, bom, ótimo ou cavalo xucro

PAMPA: Descampados cobertos de vegetação rasteira onde a vista se estende ao longe; compreende desde a Província da Pampa Austral, ao sul de Buenos Aires (Argentina) até os limites do RGS com o Estado de Stª Catarina (Brasil).

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(letra e música para ouvir) quem te batizou milonga, decerto foi algum monge que escutou de muito longe o teu murmúrio de sanga ou quem sabe alguma changa, dormideira nos arreios dessas que fazem ponteios com unhas de japecanga
Filosofia de Andejo de Luiz Marenco

Com uma trajetória de sucesso Luiz Marenco em seu CD Filosofia de Andejo, lançado em 1993, reporta ao público músicas que reforçam a grandeza e o orgulho pela tradição de cultuar o que é do Sul. Acompanhe e divulgue a música do RS ao som de Luiz Marenco.

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