Letra da música
Andarilho
Luiz Marenco

CD Luiz Marenco ao Vivo (cd duplo) (2002)


Abro a porteira e me aparto
Do campo verde e estancieiro
Só pra estender meu baixeiro
No capão dos corredores
Sou destes que os cantadores
Batizaram nas guitarras
No peito dum malacara
Vivo empurrando horizontes

Minha bíblia é um "martín fierro"
Sempre esbarro numa china
E a imagem que me domina
É um parador de rodeio
Já tive um rancho, senhores
E tardes de primaveras
Onde eu lavava a erva
Sentindo o cheiro das flores

Sou ponto vivo e consciente
Na estância real das estradas
Vivo domando as mágoas
De um passado inconveniente
Nas horas das rondas claras
O pensamento é tordilho
E eu recorro cada estrela
Recostado no lombilho

Meus olhos horizontais
Pintam quadro em campo alheio
Cada porteira é um anseio
Pra um calmo desencilhar
Talvez um dia eu encontre
Um olhar destes morenos
Sem baldas e nem venenos
E aqui me ponho a cantar

A cantar
A cantar
A cantar
A cantar...


Algumas palavras contidas nesta letra estão em nosso dicionário de gauchês

PORTEIRA: Espaço seccionado numa cerca.

CAPÃO: Tem dois sentidos: pode ser um bosque e também pode ser um animal macho castrado (sem os testículos).

ESTÂNCIA: Grande estabelecimento rural (latifúndio) com uma área de 4.356 hectares (50 quadras de sesmaria ou uma légua) até 13.068 hectares (150 quadras de sesmaria ou três léguas), dividida em Fazendas e estas em invernadas.

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(letra e música para ouvir) abro a porteira e me aparto do campo verde e estancieiro só pra estender meu baixeiro no capão dos corredores

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