Letra da música
A Boa Vista do Peão de Tropa
Luiz Marenco

CD De Bota e Bombacha (2001)


Nos rincões da minha querência, arrabaleira conforme a vontade
Me serve um mate, pampa minha, nesta vidinha que me destes
Antes que embeste a novilhada, prá o mundo alheio das porteiras
Saúdo a poeira dessas crinas, que me arrocinam sujeitando

E da garupa do cavalo, faço um regalo a ventania
Que na poesia destas léguas, tomo por rédeas e conselhos
Chamo no freio a coisa braba, o tempo é feio, mas que importa
Quando se engorda na invernada, não falta nada prá quem baba
De focinho levantado e mais curioso

A fim de ir, a estância do passo, na direção de casa, costeando o arvoredo
O meu desespero porfia co'a tropa fazendo o que gosta, ao sul de mim mesmo
E todo o bem que havia, maneado ao destino divide caminho com a rês que amadrinha
O rio que eu não via, mimando de sede, a minha saudade

Na função dos meus afazeres, rememorados conforme a manada
Vou ressabiando afeito a fadiga, nas horas mingas de sossego
Talvez melhore durante a sesteada, sou por mais igual a campanha
Tamanha a alma de horizontes, ali defronte os cinamomos

Já não habita a teimosia, atropelando o meu rodeio
Quando me agüento no forcejo, pra erguer no laço os caídos
Não me lastimo, nem receio, vou pelo meio do sinuelo
Tocando manso os mais ariscos, só pelo vício de por quartos
Cuidar do gado, rondando o baio, que amanuceio


Algumas palavras contidas nesta letra estão em nosso dicionário de gauchês

PAMPA: Descampados cobertos de vegetação rasteira onde a vista se estende ao longe; compreende desde a Província da Pampa Austral, ao sul de Buenos Aires (Argentina) até os limites do RGS com o Estado de Stª Catarina (Brasil).

GARUPA: Anca.

ESTÂNCIA: Grande estabelecimento rural (latifúndio) com uma área de 4.356 hectares (50 quadras de sesmaria ou uma légua) até 13.068 hectares (150 quadras de sesmaria ou três léguas), dividida em Fazendas e estas em invernadas.

TROPA: Coletivo de militares e de bovinos.

RÊS: Animal vacum.

LAÇO: Apero (acessório) trançado de couro cru, composto de argola, ilhapa, corpo e presilha.

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(letra e música para ouvir) nos rincões da minha querência, arrabaleira conforme a vontade me serve um mate, pampa minha, nesta vidinha que me destes antes que embeste a novilhada, prá o mundo alheio das porteiras saúdo a poeira dessas crinas, que me arrocinam sujeitando
De Bota e Bombacha de Luiz Marenco

Com uma trajetória de sucesso Luiz Marenco em seu CD De Bota e Bombacha, lançado em 2001, reporta ao público músicas que reforçam a grandeza e o orgulho pela tradição de cultuar o que é do Sul. Acompanhe e divulgue a música do RS ao som de Luiz Marenco.

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