Letra da música
Alma de Estância e Querência
Luiz Marenco

CD Luiz Marenco e Jari Terres - Andapago (2010)


Da gadaria faz silhueta a madrugada
Das quatro quadras da invernada do branquinho
Rodeio grande saltou cedo a peonada
Levando a lua na cabeça do lombilho

A mim me toca reponta o fundo do campo
Na hora santa em que a manhã tira o seu véu
Levo na testa do gateado a última estrela
Que aquerenciada não quis mais voltar pra o céu

E o meu cavalo que "lhe gusta" ouvir um silvido
Olha comprido e põe tenências nas orelhas
Enxergo o gado e o assobio sai tão sentido
Que acende o sol num gravatá crista vermelha

O boi compreende o chamado da melodia
E a gadaria pisoteia um santa fé
Chegam no passo da restinga, e uma traíra
Atira um bote à flor azul de um aguapé

Olhando a ponta que encordoa pra o rodeio
Cresce o anseio de viver nestas lonjuras
Bárbara é a lida no lombo dos arreios
E alma de campo é a rendição destas planuras

Já me disseram que se acabam as invernadas
Que retalhadas marcam o fim de existência
Mas trago a essência e a constância de um olho d'água
E a alma penduada com sementes de querência


Algumas palavras contidas nesta letra estão em nosso dicionário de gauchês

INVERNADA: Subdivisão de uma Fazenda; designa também, departamento de um CTG (Entidade Tradicionalista).

QUERÊNCIA: Lugar onde se gosta de viver; se quer viver; lugar do bem-querer.

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(letra e música para ouvir) Da gadaria faz silhueta a madrugada das quatro quadras da invernada do branquinho rodeio grande saltou cedo a peonada levando a lua na cabeça do lombilho

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