Letra da música
Baile Diferente
Zé Moraes

CD Sina de Campeiro (2000)


Sábado a tarde depois da lida campeira
Comferi minha gibeira tinha uns troco pra gastar
Fui logo me pilchar bombacha bota e esporae
Ali na mesma hora meu pingo fui encilhar
Levei junto o meu mango que sempre me acompanha
E a minha guampa de canha ali junto do meu lado
Num trotezito largado eu saí no iupa-iupa
Lá da estância do tio juca fui festar lá no povoado

Chegando lá no povoadao me encontrei com os companheiro
Tava bueno o entreveiro de trago e gente cantando
Fui me aprochegando tava bueno de olhar
Gosto mesmo de festar quando a noite vem chegando
Meus amigos disseram tinha baile aquele dia
Era bueno a riviria e que se dançava a vontade
Bem na liberdade e meio levado da breca
Era a tal de discoteca que acontece na cidade

Sou um gaudério da estância e me criei dançando xote
Esta dança de pinote não se parece comigo
Por causa dos meus amigos eu me fui pra esse ambiente
Fui num baile diferente dos bailes que eu apercigo
Eu de bota e bombacha faceiro no meu estilo
Quando vi aquilo fiquei até assustado
Ninguém dança agarrado e só pulando pelas bera
E a luz com uma piscadeira num jeito desesperado

Tinha até uma fumaça se espalhando pela pista
Chegava embaraçá a vista perdi até meus companheiro
Vi que não tinha gaiteiro nem sei quem tava tocando
E agurizada pulando no meio do entreveiro
Quando vi aquela dança deixei fácil o meu mango
Vi que não era fandango do jeito da terra minha
Mais veio uma moreninha em minha frente rebolando
Passou a mão no meu mango e quis imitar a tiazinha

Corri o zóio no jeito daquela prenda
Tava vestida de renda bonita como ninguém
Me dissi eu sou algué que quero te dar carinho
Pensei não to sózinho este baile é bão também
Me convidou pra dançar eu disse uma coisa eu te digo
Eu só danço contigo se agarradinho for
Quero sentir teu calor e tu vai ver o que eu faço
Se atirou nos meus braços se dismanchando de amor

Se ingraçou neste quera esta prenda que eu falei
Nem mesmo eu sei como tudo aconteceu
Até ela entendeu meu jeito xucro de dançar
Nem vi a noite passar logo o dia amanheceu
Me despedi da chinoca coitada ficou chorando
E eu fui me retirando do meio daquela gente
Meu pingo estava na frente deixei aquele povoado
Que até hoje é falado aquele baile diferente


Algumas palavras contidas nesta letra estão em nosso dicionário de gauchês

BOMBACHA: Calça-larga abotoada na canela do gaúcho

BOTA: Calçado com cano (curto, médio ou longo), feito de couro.

PINGO: Afetivo de cavalo de estimação.

CHIMANGO: Ave rapinídea; alcunha dada em 1915, aos Borgistas (usuários do lenço branco com nó comum).

ESTÂNCIA: Grande estabelecimento rural (latifúndio) com uma área de 4.356 hectares (50 quadras de sesmaria ou uma légua) até 13.068 hectares (150 quadras de sesmaria ou três léguas), dividida em Fazendas e estas em invernadas.

BUENO: Bom.

TAVA: O osso do jogo-do-osso.

GAUDÉRIO: Vivente aventureiro que chegou na Pampa, vindo do Brasil-central; não tinha profissão definida, nem morada certa e não se amarrava ao coração de uma só mulher

PINOTE: Corcovo, pulo.

FACEIRO: alegre, contente

FANDANGO: Denominação genérica do Baile Gaúcho.

PRENDA: Jóia, relíquia, presente (dádiva) de valor; em sentido figurado, é a moça gaúcha porque ela é jóia do gaúcho.

XUCRO: Selvagem.

CHINOCA: Guria que se pilcha de bota e bombacha ao invés do vestido de prenda, prenda que passou dos 30 anos.

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(letra e música para ouvir) Sábado a tarde depois da lida campeira Comferi minha gibeira tinha uns troco pra gastar Fui logo me pilchar bombacha bota e esporae Ali na mesma hora meu pingo fui encilhar
Sina de Campeiro de Zé Moraes

Com uma trajetória de sucesso Zé Moraes em seu CD Sina de Campeiro, lançado em 2000, reporta ao público músicas que reforçam a grandeza e o orgulho pela tradição de cultuar o que é do Sul. Acompanhe e divulgue a música do RS ao som de Zé Moraes.

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