Letra da música
Ainda Com a Faca na Mão
Marcelo Oliveira

CD Rincão da Alma (2008)


Pegaram adão formiga
"inda" com a faca na mão
Com o vermelho da sangria
Escorrendo pelo chão.
Na bombacha remendada
Limpava a faca de um lado
Como querendo esconder
O intento de ser culpado...

Quem diria adão formiga
Vizinho de uns trinta anos
Carneando um capão alheio...
Talvez fosse por engano
Mais a marca no pelego
De tinta, mostrava o dono
E a noite apontava a pressa
Pra um galho de cinamomo.

Toda a semana na estância
Vai pra consumo um capão
Escolhido por bem gordo
Nos mandados do patrão.
Pois quem produz sabe bem
Quanto lhe custa o serviço
De cuidado e produção
Pra alguém depois dar sumiço.

Porque não pediu uma changa
Pois trabalhar não é feio
Resolveu por conta justa
Apossar-se do alheio.
Quem sabe nas "precisão"
Pedisse uns "pila" emprestado
Mas esperou mais a noite
Pra cruzar pelo alambrado.

Um sorro a sombra da noite
Uma faca de bom corte
Um carancho num cordeiro
Inverno com geada forte.
Cada qual no seu destino
No ciclo anormal do homem
Uns matam só por famintos
Uns pra matarem a fome

E agora adão formiga
Tem fama na redondeza
Todos sabem de onde é a carne
Que as vezes bota na mesa
Pois quem carneia um capão
Pra "mata" a fome do filho
Mata quatro, cinco ou seis
Depois não sai deste trilho


Algumas palavras contidas nesta letra estão em nosso dicionário de gauchês

BOMBACHA: Calça-larga abotoada na canela do gaúcho

CAPÃO: Tem dois sentidos: pode ser um bosque e também pode ser um animal macho castrado (sem os testículos).

SORRO: Cachorro selvagem do banhado.

BOTA: Calçado com cano (curto, médio ou longo), feito de couro.

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(letra e música para ouvir) Pegaram adão formiga"inda" com a faca na mãocom o vermelho da sangriaescorrendo pelo chão.na bombacha remendadalimpava a faca de um ladocomo querendo escondero intento de ser culpado...quem diria adão formigavizinho de uns trinta anoscarneando um capão alheio...talvez fosse por enganomais a marca no pelegode tinta, mostrava o donoe a noite apontava a pressapra um galho de cinamomo.toda a semana na estânciavai pra consumo um capãoescolhido por bem gordonos mandados do patrão.pois quem produz sabe bemquanto lhe custa o serviçode cuidado e produçãopra alguém depois dar sumiço.porque não pediu uma changapois trabalhar não é feioresolveu por conta justaapossar-se do alheio.quem sabe nas "precisão"pedisse uns "pila" emprestadomas esperou mais a noitepra cruzar pelo alambrado.um sorro a sombra da noiteuma faca de bom corteum carancho num cordeiroinverno com geada forte.cada qual no seu destinono ciclo anormal do homemuns matam só por famintosuns pra matarem a fomee agora adão formigatem fama na redondezatodos sabem de onde é a carneque as vezes bota na mesapois quem carneia um capãopra "mata" a fome do filhomata quatro, cinco ou seisdepois não sai deste trilho
Rincão da Alma de Marcelo Oliveira

Com uma trajetória de sucesso Marcelo Oliveira em seu CD Rincão da Alma, lançado em 2008, reporta ao público músicas que reforçam a grandeza e o orgulho pela tradição de cultuar o que é do Sul. Acompanhe e divulgue a música do RS ao som de Marcelo Oliveira.

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