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Milonga de Garras

Enchendo os Olhos de Campo (2000)

Luiz Marenco

A saudade ronda o peito
Feito um carancho a um cordeiro
Afia as garras morenas
Para um ataque certeiro
E a alma busca suas forças
Para salvar-se primeiro

Vôos de plumas serenam
Planando ao redor das casas
Saudade ganhou seus rumos
Descobriu que tinha asas
Ronda meus sonhos pequenos
Cordeiros recém-paridos
Brancos pra o agosto dos campos
Pra alma, desprotegidos

(ovelha chamando a cria
Meus sonhos chamam também
Não sei por que minha sina
É ter saudades de alguém
E descobrir pelo tempo
Que não sei domá-las bem)

Chegam de manso, saudosas
Pra não serem descobertas
Mas um prenúncio de dor
Põe meu rebanho de alerta
Quem sabe o peito não tema
E a alma não reconheça
Mas a saudade tem garras
Mesmo que não se mereça

Quem sabe pelo verão
Depois da safra da esquila
A alma bem mais madura
Consiga andar tanqüila
E livrar-se dos caranchos
Rondadores de asas plenas
Que insistem com suas saudades
Feitas de garras morenas

(ovelha chamando a cria
Meus sonhos chamam também
Não sei por que minha sina
É ter saudades de alguém
E descobrir pelo tempo
Que não sei domá-las bem)


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