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Rancho de Luz

Coplas de Um Gaúcho Brasileiro (2000)

Ângelo Franco

Sentado à mesa
O mate novo
A vela acesa
O olho turvo

Ouço mil cascos em disparada
Lá por de trás da coxilha
E o negrinho gorjeia seu riso
Por ter achado a tropilha

- Dou-te o lume da vela
A prece prometida
Encontrem minha alma
Que anda perdida

A escuridão da noite ainda me traz
Espíritos que vagam sem ter paz
Aquerenciando o temor de encontrar
Lá fora o fogo insensato do Boitatá

São índios e padres
São negros, mulheres, soldados
Que adentram o rancho
E mateiam, proseando ao meu lado
Guiam-se pela prece
Aos braços abertos na cruz
Enquanto a vela aquece
Os sonhos que povoam esse rancho de luz

Indago a Cristo
Na parede
Se pode o mate
Aumentar a sede
Na chama da vela que se desfigura
Vejo o campo e, nele, ecos de loucura
Faíscas de adagas, a morte estampada
Tempo das batalhas, de morrer por nada

Murmúrios engasgados
Em pecado e dor
Clamam ao meu lado
A mão do redentor
"Roque" na fogueira, sem o coração
Toma minha prece como extrema-unção
O aço de "Latorre" vem pedir perdão
Da fúria da "Criolla", do sangue nas mãos

São índios e padres
São negros, mulheres, soldados
Que adentram o rancho
E mateiam, proseando ao meu lado
Guiam-se pela prece
Aos braços abertos na cruz
Enquanto a vela aquece
Os sonhos que povoam esse rancho de luz

Dou-te o lume da vela a prece prometida(aha)
Dou-te o lume da vela a prece prometida(aha)
Dou-te o lume da vela a prece prometida(aha)
Dou-te o lume da vela a prece prometida
Aha


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