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Preto Velho Celestino

Carteio da Vida (2002)

Telmo de Lima Freitas

Num bolicho beira estrada, de cruzada,
encontrei o preto velho celestino,
testemunha dos meus tempos de menino,
prestativo e serviçal.
a lembrança veio junto no assunto,
no momento que eu olhei ele me olhou,
num sorriso machucado, o preto velho
com saudade, perguntou:
como vão todos os teus? antes do adeus,
sem saber se me abraçava ou se sorria,
pelo jeito, constrangido, o preto velho,
pelos trajes que vestia.
não repare este meu jeito, caro amigo,
machucando esta purita com limão,
tiro a poeira da garganta, diariamente,
pra alegrar o coração.
minha aldeia comemora, volta e meia,
festejando quem chegou pra não ficar,
mas esquece o preto velho celestino,
um nativo do lugar.
este santo benedito, que ao tranquito,
vai ganhando como pode o seu quinhão,
representa no cenário dos bolichos
a vontade de viver pelo seu chão.


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