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Índio Vago

Pedro Ortaça e Filhos (2015)

Pedro Ortaça

Me largaram muito novo
Ainda com botão na guampa
E desde então gaudereio
Por onde o céu se descampa
Junto ao meu cusco brazino,
Meu pingo gateado pampa

Aguento em me queixar
As mágoas que cabresteio
Porque dentro do Rio Grande
Estou bem onde me apeio
O poncho velho é coberta
Pra cama estendo o arreio

Na serra fui peão de estância,
Na fronteira, capataz
Qualquer prazer me diverte
Diferença não me faz
Sou sempre o mesmo gaúcho
Que fui nos tempos atrás

Uma chinoca argentina
Me deu um pala franjado
Cruzando a banda oriental
Trouxe um chiripá bordado
Chomico este mundo velho
A muito tenho virado

Não me importa o que outros pensem
Do meu viver de índio vago
Quando a saudade me assalta
Afago as mágoas num trago
E aliso o cusco e o pingo
Dois pedaços do meu pago

Ninguém sabe bem ao certo
Pra onde vou, nem de onde venho
É a sina que Deus me deu
Gauderiando me entretenho
Sem ninguém ficar sabendo
De alguma balda que eu tenho

Já tirei manhas de china
Que por baldosa era tida
Mesmo num seio de laço
Achei sempre uma saída
E se nascesse de novo
Não desejava outra vida.


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