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Branco ou Colorado

O Gaiteiro (1986)

Albino Manique

São dois emblemas, dois guascas,
um branco, outro colorado
relíquias que no passado
voejaram com altivez,
levando, mais de uma vez
da campanha ao litoral
a gauchada bagual,
que de lança e boleadeira
incendiou serra e fronteira
atropelando um ideal!

estandartes do rio grande
eternamente rivais,
que o sangue de nossos pais
tornou mil vezes sagrados
na peleia entreverados
com denodo e galhardia,
fortalecendo esta cria
que foi padrão de coragem
abarbarada e selvagem,
mas cheia de fidalguia!

um tem a cor dos braseados
dos fogões de acampamento
e quando tremula no vento,
nas coxilhas desfraldado,
É o sangue bem colorado
da raça em efervescência,
levando na sua essência
aquele pendão eterno
que foi tronqueira de cerno
na formação da querência!

outro é branco como a geada
das alvoradas pampeanas,
e nas dobras soberanas
revela, quando esvoaça,
toda a nobreza da raça
que no voejar se retrata,
parecendo que relata
coragem e desassombro
quando no trono dum ombro
estendido se desata!

velho lenço colorado
tu carregas no teu pano
todo o valor haragano
dos cavaleiros charruas
e acordas quando flutuas
por essas várzeas assim,
o eco de algum clarim,
que ressurgindo da campa
anda volteando no pampa
o guasca que está no fim!

e tu, velho lenço branco
como a alma das chinocas
tu, que meu sangue provocas
quando te vejo esvoaçar,
comigo hei de te levar
sempre alegre e satisfeito
atado do mesmo jeito,
seja na paz ou na guerra
como emblema desta terra
batendo sobre o meu peito!

É tradição de gaúcho
ter amor nestes dois trapos
e ver na trança dos fiapos
um sentimento tão santo.
por isso te adoro tanto
meu lenço branco ou de cor
e até deus nosso senhor
que usou bota, espora e mango
lês garanto que é chimango
se maragato não for!


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